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Curta-metragem de terror cabo-verdiana “Maresia” estreia ainda este ano

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O cinema nacional ganha novo fôlego com “Maresia”, uma curta-metragem de terror psicológico produzida em Cabo Verde pela jovem cineasta Maria Cristina Rosa Furtado Santos da Luz. Gravado em janeiro de 2026, o filme conta com atores da companhia teatral Fladu Fla e tem estreia prevista para o final do ano.

A produção é assinada pela 32MM Studios, empresa criada por Cristina em 2025, marcando o seu primeiro projeto autoral. Formada em cinema nos Estados Unidos, pela Emerson College, Cristina une-se à realizadora americana Zamzam Elmoge, de 23 anos, que assina a direção e traz uma abordagem técnica apurada, sem perder o respeito pela identidade cultural cabo-verdiana.

Segundo Cristina, o objetivo da produtora é contar histórias africanas em géneros pouco explorados, como o terror e a ficção científica. “Sendo cabo-verdiana, sabia que o meu primeiro filme tinha de nascer na minha terra”, afirmou.

O mar como símbolo e personagem

A narrativa acompanha Fátima e Tó, um casal em travessia marítima que acaba por naufragar. Sozinha numa ilha deserta, Fátima precisa sobreviver aos ferimentos e ao trauma que ressurge das profundezas da sua memória. O mar é retratado como personagem central, representando amor, separação e culpa — reflexo da relação histórica do povo cabo-verdiano com o oceano e a emigração.

As filmagens aconteceram em São Francisco, Portinho e Moia-Moia, locais naturais que reforçam o tom realista e emocional do enredo.

Do palco para o ecrã

Fátima é interpretada por Sheila Martins, atriz e presidente da Fladu Fla, que descreve o papel como uma experiência transformadora. “No cinema, um olhar vale mais do que um gesto inteiro. Foi um processo físico e emocional intenso”, afirmou.

A atriz destaca as cenas ligadas à maternidade e à perda como as mais difíceis. “Foram momentos dolorosos, mas necessários para mostrar o peso do trauma da personagem”, disse Sheila, que considera a participação da companhia uma prova do talento e da capacidade técnica dos atores cabo-verdianos.

Infância e invisível

A filha de Fátima, Lourdes, é vivida pela jovem Amanda Fortes Bento, de apenas oito anos. Para Sheila, a menina “é o coração do filme”, simbolizando memória, inocência e redenção. Amanda, por sua vez, disse ter adorado a experiência e aprendido muito durante as filmagens.

Um vilão humano

O ator Alexssandro Semedo Rocha interpreta Tó, um homem destruído pela culpa e pelo vício. “Tó não muda — ele se desfaz. É um homem sem ferramentas emocionais”, explica. O ator procurou equilibrar a violência e o silêncio, construindo um vilão trágico e real. “Ele é vítima de uma masculinidade tóxica, mas torna-se algoz quando descarrega tudo na família”, afirma.

Um novo olhar sobre o terror africano

Sob direção de Zamzam Elmoge, “Maresia” usa o terror como linguagem emocional e simbólica, em vez de sustos visuais. Sombras, vozes e presenças sobrenaturais materializam o luto e a culpa, levando o espectador a questionar o que é real e o que é psicológico.

Com estreia marcada para dezembro de 2026, após exibições em festivais internacionais em África, Europa e Estados Unidos, o filme promete levar o cinema cabo-verdiano a novos horizontes.

Para Cristina, “Maresia” é mais do que um projeto — é um passo ousado para o cinema nacional. “Quero que este filme inspire outros artistas a contar histórias diferentes e a acreditar que o terror também pode ter alma africana”, conclui.

Com TN

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