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Cabo Verde passa a exigir visto prévio para cidadãos de 91 países

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A partir de 1 de janeiro de 2026, Cabo Verde implementou uma alteração significativa nas suas regras de entrada no país, passando a exigir visto prévio obrigatório para cidadãos de 91 países, numa mudança que afecta viajantes de várias regiões do mundo e tem gerado atenção internacional. A medida foi oficializada através de uma resolução publicada no Boletim Oficial da República de Cabo Verde, que complementa a legislação existente sobre a entrada e permanência de estrangeiros no arquipélago e resulta de uma avaliação de riscos feita pelas autoridades cabo-verdianas.

O que muda com a nova regra

Até recentemente, muitos visitantes que necessitassem de visto para viajar a Cabo Verde podiam obter um documento de entrada ao chegar ao país — através de um sistema de pre-registo online e pagamento de taxas no portal oficial, seguido da emissão do visto à chegada ao aeroporto. Com a alteração, esta opção foi eliminada para cidadãos dos 91 países abrangidos, que agora são obrigados a solicitar e obter o visto antecipadamente, em representação diplomática de Cabo Verde — seja numa embaixada ou consulado — antes de embarcarem no seu voo.

A nova exigência proíbe tanto a emissão de visto online como a emissão de visto à chegada para estes viajantes. Se um passageiro tentar entrar em Cabo Verde sem o visto obtido previamente, as companhias aéreas poderão recusá-lo no momento do embarque, tal como as autoridades de fronteira poderão impedir a entrada no país.

Por que essa mudança foi introduzida

Segundo as informações oficiais, Cabo Verde decidiu rever a sua política de vistos com base numa avaliação de riscos relacionada com segurança nacional, incluindo questões como prevenção da imigração irregular, combate ao tráfico de seres humanos e a manutenção da ordem pública. As autoridades consideraram que, ao exigir vistos prévios, será possível reforçar os controlos por meio de entrevistas presenciais em embaixadas e consulados, em vez de depender apenas de processos automáticos online ou vistos emitidos à chegada.

Quem é afetado

A lista de países abrangidos por esta nova regra inclui 91 nacionalidades de todas as regiões do mundo — com destaque para uma variedade de países asiáticos e africanos, além de nações da América Central, América do Sul, Oceania, e um único país europeu, a Bielorrússia. Entre os países afectados estão Indonésia, Egipto, Argélia, Etiópia, Colômbia, Chile, México, entre outros.

Este conjunto de mudanças corrige e substitui uma versão anterior da lista, divulgada em novembro de 2025, que inicialmente incluía 96 países — uma lista ligeiramente maior — e que também tinha motivado debate internacional quando foi publicada.

Como funciona o processo de visto agora

Para cidadãos dos 91 países agora sujeitos à exigência de visto prévio, a regra geral é:

  • Solicitar o visto numa embaixada ou consulado de Cabo Verde antes da viagem;
  • Se não houver representação diplomática no país de origem, o requerente pode apresentar o pedido numa representação diplomática em outro país;
  • A emissão e validação do visto é feita com base na análise da Direcção de Estrangeiros e Fronteiras (DEF) cabo-verdiana, que avalia cada caso individualmente.

Excepções e casos especiais

A legislação prevê alguns casos específicos em que a exigência de visto prévio não se aplica, como:

  • Tripulantes de aeronaves ou navios em trânsito;
  • Cidadãos residentes em Cabo Verde ou que tenham residência legal no país;
  • Pessoas com passaportes de países com acordos de isenção de visto com Cabo Verde — por exemplo, cidadãos de estados-membros da União Europeia, Reino Unido, Brasil, Canadá ou Estados Unidos podem beneficiar de regimes diferenciados, conforme acordos e políticas diplomáticas existentes.

O impacto na mobilidade internacional

Especialistas em viagens e turismo internacional observam que esta mudança pode ter impacto directo no turismo, nas viagens de negócios e nas relações diplomáticas com os países afectados, pois a exigência de visto prévio pode tornar mais complexa e dispendiosa a entrada de visitantes que anteriormente podiam simplesmente viajar sem necessidade de solicitar o visto com antecedência.

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Sismo de magnitude 4.0 é sentido nas ilhas de São Vicente e Santo Antão

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Na noite desta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, a população das ilhas de São Vicente e Santo Antão, no norte do arquipélago cabo-verdiano, sentiu um tremor de terra de magnitude 4.0 na escala de Richter, confirmaram fontes oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG).

De acordo com a nota informativa divulgada pelo INMG, o sismo ocorreu por volta das 21h12 (hora de Cabo Verde) e teve o seu epicentro nas imediações da Ponta da Praia Formosa, no município de Porto Novo, na ilha de Santo Antão. A magnitude do abalo — considerada relevante para a região — explica porque foi sentido pela população dos dois pontos do Barlavento, principalmente em zonas densamente povoadas como Monte Sossego, Vila Nova, Chã de Marinha, Bela Vista, Madeiralzinho e Fonte Francês em São Vicente, segundo relatos locais.

O INMG salienta ainda que, tendo em conta a intensidade registada, é provável que o sismo tenha sido sentido também em outras ilhas do arquipélago. Isso porque as estações sísmicas situadas nas ilhas do sul (como Santiago, Fogo, Maio e Brava) captaram sinais do fenómeno com alguma intensidade, ainda que a percepção da população nessas ilhas não tenha sido generalizada.

Especialistas e técnicos do INMG lembram que a zona onde o tremor foi localizado — junto à Ponta da Praia Formosa — é uma área de atividade sísmica relativamente frequente em Cabo Verde, parte de um arquipélago formado por ilhas de origem vulcânico, estando a tectónica local sujeita a movimentações que geram pequenos abalos sem grandes consequências.

Além do evento principal de magnitude 4.0, mais três sismos de menor intensidade foram registados no mesmo dia, de acordo com o instituto, reforçando a ideia de que a actividade sísmica naquela região pode ocorrer em série, ainda que sem risco imediato de grandes danos.

Reacção da população e sinais observados

Nas redes sociais, moradores de São Vicente e Santo Antão descreveram o momento do fenómeno de forma vívida. Algumas testemunhas disseram ter sentido a terra “tremer” e ouvido ruídos que inicialmente confundiram com o tráfego de veículos pesados ou com vibrações de equipamentos domésticos. Em várias localidades, inclusive, houve quem notasse a vibração de objetos dentro das casas, como aparelhos de televisão e mobília, evidenciando a energia do abalo.

Até ao momento não há registos de danos materiais significativos nem de vítimas associadas ao tremor. As autoridades de protecção civil e o INMG continuam a acompanhar a situação e a monitorizar a actividade sísmica em todo o país.

O que isso significa para Cabo Verde

Cabo Verde está situado num arquipélago de origem vulcânica, onde fenómenos sísmicos menores são relativamente comuns, especialmente nas proximidades de zonas como a do Fogo, que possui um vulcão activo, e outras áreas geologicamente activas. Apesar disso, abalos de magnitude 4.0, embora perceptíveis, normalmente não causam estragos significativos quando comparados com sismos de maior intensidade.

Os residentes das ilhas afectadas foram aconselhados a manter a calma e a seguir os protocolos de segurança em caso de mais tremores, incluindo procurar locais seguros dentro das habitações e manter-se informados através dos canais oficiais das autoridades competentes de Cabo Verde.

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Curta-metragem de terror cabo-verdiana “Maresia” estreia ainda este ano

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O cinema nacional ganha novo fôlego com “Maresia”, uma curta-metragem de terror psicológico produzida em Cabo Verde pela jovem cineasta Maria Cristina Rosa Furtado Santos da Luz. Gravado em janeiro de 2026, o filme conta com atores da companhia teatral Fladu Fla e tem estreia prevista para o final do ano.

A produção é assinada pela 32MM Studios, empresa criada por Cristina em 2025, marcando o seu primeiro projeto autoral. Formada em cinema nos Estados Unidos, pela Emerson College, Cristina une-se à realizadora americana Zamzam Elmoge, de 23 anos, que assina a direção e traz uma abordagem técnica apurada, sem perder o respeito pela identidade cultural cabo-verdiana.

Segundo Cristina, o objetivo da produtora é contar histórias africanas em géneros pouco explorados, como o terror e a ficção científica. “Sendo cabo-verdiana, sabia que o meu primeiro filme tinha de nascer na minha terra”, afirmou.

O mar como símbolo e personagem

A narrativa acompanha Fátima e Tó, um casal em travessia marítima que acaba por naufragar. Sozinha numa ilha deserta, Fátima precisa sobreviver aos ferimentos e ao trauma que ressurge das profundezas da sua memória. O mar é retratado como personagem central, representando amor, separação e culpa — reflexo da relação histórica do povo cabo-verdiano com o oceano e a emigração.

As filmagens aconteceram em São Francisco, Portinho e Moia-Moia, locais naturais que reforçam o tom realista e emocional do enredo.

Do palco para o ecrã

Fátima é interpretada por Sheila Martins, atriz e presidente da Fladu Fla, que descreve o papel como uma experiência transformadora. “No cinema, um olhar vale mais do que um gesto inteiro. Foi um processo físico e emocional intenso”, afirmou.

A atriz destaca as cenas ligadas à maternidade e à perda como as mais difíceis. “Foram momentos dolorosos, mas necessários para mostrar o peso do trauma da personagem”, disse Sheila, que considera a participação da companhia uma prova do talento e da capacidade técnica dos atores cabo-verdianos.

Infância e invisível

A filha de Fátima, Lourdes, é vivida pela jovem Amanda Fortes Bento, de apenas oito anos. Para Sheila, a menina “é o coração do filme”, simbolizando memória, inocência e redenção. Amanda, por sua vez, disse ter adorado a experiência e aprendido muito durante as filmagens.

Um vilão humano

O ator Alexssandro Semedo Rocha interpreta Tó, um homem destruído pela culpa e pelo vício. “Tó não muda — ele se desfaz. É um homem sem ferramentas emocionais”, explica. O ator procurou equilibrar a violência e o silêncio, construindo um vilão trágico e real. “Ele é vítima de uma masculinidade tóxica, mas torna-se algoz quando descarrega tudo na família”, afirma.

Um novo olhar sobre o terror africano

Sob direção de Zamzam Elmoge, “Maresia” usa o terror como linguagem emocional e simbólica, em vez de sustos visuais. Sombras, vozes e presenças sobrenaturais materializam o luto e a culpa, levando o espectador a questionar o que é real e o que é psicológico.

Com estreia marcada para dezembro de 2026, após exibições em festivais internacionais em África, Europa e Estados Unidos, o filme promete levar o cinema cabo-verdiano a novos horizontes.

Para Cristina, “Maresia” é mais do que um projeto — é um passo ousado para o cinema nacional. “Quero que este filme inspire outros artistas a contar histórias diferentes e a acreditar que o terror também pode ter alma africana”, conclui.

Com TN

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Filme “Menino do Mar” exibido em São Vicente e Santo Antão

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As ilhas de São Vicente e Santo Antão recebem, entre os dias 30 de janeiro e 4 de fevereiro, a mostra de cinema organizada pela Associação do Cinema e Audiovisual de Cabo Verde (ACACV), que tem como grande destaque o filme “Menino do Mar”, do premiado cineasta moçambicano Júlio Silva, convidado especial do evento.

A mostra acontece nos dias 30 e 31 de janeiro em São Vicente e segue para Santo Antão nos dias 2, 3 e 4 de fevereiro, com o objetivo de aproximar o público cabo-verdiano da obra de Júlio Silva, promover reflexão e diálogo sobre a memória coletiva e reforçar o papel do cinema como instrumento cultural e social.

O filme principal da programação, “Menino do Mar”, aborda o naufrágio do navio Vicente, ocorrido ao largo da ilha do Fogo, um dos episódios mais marcantes da história recente do país, que deixou profundas cicatrizes em várias famílias cabo-verdianas. Outro destaque da mostra é a exibição de “The Island Poet”, também da autoria do realizador.

Além das produções de Júlio Silva, o evento inclui filmes de realizadores cabo-verdianos, reforçando o compromisso da ACACV com a promoção do cinema nacional e a criação de oportunidades de cooperação entre instituições culturais e o setor privado.

Júlio Silva, nascido em Moçambique em 1960, é filho de cabo-verdianos — com origens em São Vicente e Santo Antão. Ao longo da carreira, já realizou 14 filmes que conquistaram vários prémios internacionais, entre eles “Chikwembo”, “Distino dum Criola”, “Correntes na Zambézia”, “Lágrimas na Ondas di Mar” e “O Poeta da Ilha”.

O cineasta, também escritor, músico e antropólogo cultural, tem sido distinguido em diversos festivais internacionais, com prémios recebidos em Brasil, Luxemburgo, Holanda, Portugal, Inglaterra e Suíça, consolidando-se como uma das vozes mais influentes do cinema africano contemporâneo.

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