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Estudante Cabo-verdiano conta sua história de superação e a realização de um sonho

Isaías Cardoso conta um pouco de sua história na realização do sonho de fazer seu curso superior no Brasil

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Talvez essa história lhe motive a não desistir de seus sonhos…

Hoje acordei triste, me vem à mente lembranças, sinto saudades de casa, da família, dos amigos, da minha igreja. Daqui a uns dias completam três anos desde que saí de casa, encarar o mundo e realizar um sonho. Quando via pro futuro, parecia promissor, mas hoje não. Muitas coisas não vão bem, parece que estou distante deste planeta; quero tanto terminar o que comecei, mas como!? No dia em que saí de casa, as últimas palavras de meu pai foram: “filho, vá e não se esqueça de Deus“. Eu não esqueci. Aprendi a ser perseverante, a não desanimar, a não desistir; mas há um momento em que você se vê impossibilitado de fazer algo mais, um momento em que desistir parece ser a melhor saída.

O que você acabou de ler acima, eu o escrevi em 2010, quase três anos depois de deixar o meu país, Cabo Verde, em busca de um sonho. Já se passara quatro ou cinco anos desde que terminei o Ensino Secundário e no Brasil estava eu, lutando para fazer um curso superior.

O sonho era meu e eu é que eu tinha que persistir pra vê-lo tornando realidade.

Filho de pai pobre quando sai de casa para enfrentar a vida, leva na mala apenas rabisco de seus sonhos e um coração ávido pelo desconhecido. Na mente carrega dúvidas e incertezas de caminhos nunca antes andado e de lugares que jamais viu; terá de aprender cultura nova, conviver com pessoas desconhecidas e labutar.

Mas o sonho era meu, ou faria de tudo pra ver isso real ou desistiria de tudo e voltaria pra casa. Mas lá em casa não adiantava a vida, então a solução era persistir o sonho, custe o que custar.

O curso era de quatro anos, precisei de seis para terminá-lo: dois anos sem estudar por falta de recursos financeiros. O pouco que conseguia com os trabalhos na Colportagem e vendendo Mel não dava para pagar a Faculdade. O meu pai não podia me ajudar, aliás, aquando de minha viagem emprestou 30.000$00 e me deu, para depois trabalhar no mar e pagar. Não tinha como me ajudar, do pouco que ganhava pescando uma parte era para pagar o empréstimo. O que fazer!?

Nessa horas de dúvidas, quando não via nenhuma solução aparente, às vezes eu me trancava no quarto, cobria a cabeça com o travesseiro para ninguém escutar o meu choro, e chorava. Um dia até falei com Deus e lhe perguntei que se não era pra dar certo, por que permitiu ir até onde tinha chegado!

O que a gente às vezes não entende e nem percebe, é que Deus não é indiferente aos nossos lamentos e dores, Ele nos ouve e no momento certo age. E Ele agiu todas as vezes.

Um dia desses, desacreditado que iria conseguir os recursos de que precisava para pagar a minha dívida e fazer a matrícula, eu estava navegando na Internet, fazendo alguma coisa que não me lembro o que era, e uma senhora, Diná Galvão, fez uma publicação em seu perfil no Facebook, onde pediu oração porque ia fazer uma cirurgia no olho. Como éramos “amigos virtuais”, comentei que iria orar por ela. A gente nunca tinha conversado antes.

Minutos depois ela me escreveu no Chat e conversamos por um bom tempo. A gente se conheceu, ela me perguntou de onde eu era, o que fazia longe de meu país e essa conversa resultou no que eu tinha falado com Deus. Ela se dipôs a me ajudar com os estudos. Pagou a dívida que eu tinha e me ajudou com a mensalidade até o final do curso. Quando fiz a minha formatura e marquei a viagem de volta pra casa, ela até me enviou presentes.

Durante esse período, quando voltei a estudar, um colega meu, Adilson Claudino, voltou para Cabo Verde, já tinha terminado seus estudos. Ele contou da minha situação para o meu padrinho, Loté, e ele, comovido, se dispôs a me ajudar também. Outras pessoas me ajudaram também e grato sou até hoje.

Dessas coisas de Deus que a gente não entende. Mas enquanto a gente chora, Deus está agindo. A gente não sabe, não percebe, mas depois entendemos.

Hoje esse sonho é real, graças a Deus que faz os sonhos reais, graças a homens de bem que Deus colocou em meu caminho.

Seis anos depois de entrar no Brasil, voltei para casa, a alegria era grande, o reencontro foi marcante, mas na memória carrego marcas para a vida toda.

Hoje tudo é história, mas o sonho é real.

Pra você que persiste um sonho, lembre: hoje pode parecer que tudo vai dar errado, que até o universo conspira contra você, que o mal triunfa sobre seus sonhos, anseios e desejos (assim como me senti naquele dia), mas amanhã é um novo dia e pode ser que tudo mude.

A bíblia diz que “o choro pode durar a noite inteira, mas a alegria virá ao amanhecer”.

Persista seu sonho, custe o que custar. Um dia o que você tiver passado para conquistá-lo será história pra você contar, mas o sonho será real.

Portal de Informações e Notícias sobre Cabo Verde. Fique de olho em tudo o que acontece no arquipélago.

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2 Comentários

2 Comments

  1. Maria Melo

    02.04.2020 at 00:01

    Isaías, o conheço desde o IAENE sei muitos relatos não tivermos tempo de conversar mas escrevo, que linda história, muitos possam inspirar na tua vida. Abraços querido amigo e fique com Deus.

    • Olhar Cabo Verde

      02.04.2020 at 01:51

      Obrigado, amiga. Que bom que ainda podemos conversar e ler as histórias, né? Deuste abençoe muito. Um abraço

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Portugal: Cabo-verdiano é assassinado a tiros dentro de carro em Queluz

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Um homem cabo-verdiano, identificado como Flávio Alexandre Dias Monteiro, de 32 anos, foi morto a tiros na noite de segunda-feira, 2 de fevereiro, em Queluz, no concelho de Sintra (Portugal). O crime ocorreu por volta das 21h30, quando a vítima estava dentro de um Porsche Panamera estacionado na via pública.

De acordo com a Polícia de Segurança Pública (PSP), Flávio Monteiro foi atingido por vários disparos enquanto estava ao volante. Quando os agentes e os bombeiros chegaram ao local, o homem já estava sem vida. O automóvel apresentava vidros partidos e o corpo tinha múltiplos ferimentos, principalmente no rosto.

Testemunhas relataram ter ouvido rajadas de tiros, levantando a suspeita de que tenha sido usada uma arma automática de calibre de guerra. No local, as autoridades recolheram invólucros de munições que reforçam essa hipótese.

A Polícia Judiciária foi chamada para investigar o caso e recolheu vestígios que possam esclarecer as circunstâncias do crime. As primeiras informações apontam para um possível ajuste de contas. A área onde o homicídio ocorreu, uma zona residencial, foi isolada pela PSP durante as investigações.

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França: detido padrasto suspeito de matar jovem cabo-verdiana Lizabete

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A polícia francesa deteve neste sábado, 24 de fevereiro, em Grasse, o principal suspeito do assassinato da jovem cabo-verdiana Lizabete, de 23 anos, morta a tiro na passada quarta-feira, 21, na cidade de Nice, enquanto conduzia o seu automóvel com a filha de sete meses no interior.

O detido, Octaviano M. V., um luso-cabo-verdiano de 45 anos, é apontado como padrasto da vítima e o autor dos disparos. Após uma intensa operação policial, foi preso por agentes da Polícia Judiciária de Nice, com o apoio das unidades de elite BRI e RAID, segundo confirmou o Ministério Público francês.

Apresentado a um juiz de instrução no domingo, 25, Octaviano foi colocado em prisão preventiva, proibido de contactar a ex-companheira, e manteve-se em silêncio durante a audiência, informou o procurador Damien Martinelli.

De acordo com os jornais Le Parisien e Le Figaro, o suspeito era conhecido por ser um homem violento, possessivo e ciumento, apesar de manter uma aparência “tranquila” em público como funcionário de ginásio. Ambos, ele e Lizabete, faziam parte da comunidade cabo-verdiana residente em Nice.

Dias antes do homicídio, Octaviano tinha sido detido por agressão agravada contra a sua ex-companheira, a 18 de janeiro, sendo libertado sob supervisão judicial. O Le Figaro revela ainda que, em 2014, o suspeito chegou a ser investigado por violação, processo que foi arquivado por falta de provas, e que também possui registos criminais em Portugal por furto qualificado nos anos 2000.

Além de Octaviano, duas outras pessoas foram igualmente detidas, suspeitas de o terem ajudado a fugir, uma delas por lhe dar abrigo durante os dias em que esteve em fuga.

O crime ocorreu perto de uma escola básica na zona oeste de Nice. O atirador, que seguia numa scooter, aproximou-se do carro de Lizabete e disparou dez vezes à queima-roupa, matando-a no local. A bebé Ayla, de apenas sete meses, sobreviveu sem ferimentos, segundo a imprensa francesa.

A procura pela verdade e justiça continua, com as autoridades francesas a conduzirem uma investigação por homicídio premeditado, num caso que tem chocado a comunidade cabo-verdiana em França e além-fronteiras.

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Portugal: distinção máxima a jovem investigadora cabo-verdiana

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A jovem cabo-verdiana Eliane Sanches, de 31 anos, obteve a classificação máxima com distinção e louvor por unanimidade na defesa da sua tese de doutoramento em Ciências da Saúde na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), no passado 12 de janeiro.

Natural da Cidade da Praia, Eliane destacou-se com a tese intitulada “Alterações retinais na perturbação de hiperatividade/défice de atenção: efeito terapêutico e uso indevido de metilfenidato (RetPHDA)”, considerada uma das mais inovadoras na área das neurociências. O estudo demonstrou que as alterações na retina refletem fenómenos semelhantes aos observados no cérebro, reforçando o conceito da retina como uma “janela para o cérebro”.

Durante o doutoramento, a investigadora desenvolveu investigação pré-clínica avançada, adquiriu experiência em biologia celular e molecular, e publicou artigos em revistas científicas internacionais. É licenciada em Ciências Biomédicas e mestre em Patologia Experimental pela Universidade de Londrina (Brasil).

Atualmente, integra o projeto europeu CHAngeing, na FMUC, onde atua na gestão e coordenação científica, continuando a sua trajetória de excelência na investigação em saúde.

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