Connect with us

Povo Fla

Os 10 Erros nas Projeções sobre o Coronavírus em Cabo Verde, segundo o médico Julio Andrade

O médico e presidente do Conselho da Administração do Hospital Central Agostinho Neto, Júlio Andrade, analisa os estudos sobre Projeções da COVID-19 em Cabo Verde e aponta 10 erros.

Publicado

em

Segue, na íntegra, texto publicado pelo médico Júlio Andrade, em seu perfil no Facebook, apontando os erros nas projeções sobre o coronavírus em Cabo Verde, divulgada pela InforPress no dia 12 do corrente mês.

A PROPÓSITO DOS ESTUDOS SOBRE AS PROJEÇÕES DA INFECÇÃO DO COVID-19 EM CABO VERDE

Tendo em consideração o estudo recentemente publicado, com pompa e circunstância, achei ser meu dever de cidadão e de médico, por a minha experiência de combate a endemias e epidemias ao longo dos meus 34 anos de exercício de medicina, nomeadamente no combate da Lepra, Tuberculose, Paludismo, Cólera, Dengue, Zica e COVID19, ao serviço da opinião pública, deixar a minha opinião sobre a divulgação dos estudos sobre as projecções da infecção em Cabo Verde.
Aproveito desde já para manifestar que não conheço o estudo, mas sim os dados publicados na comunicação social.

Ninguém discute a importância de estudos científicos que facilitam a tomada de decisões, mas é sempre prudente ter-se em conta as limitações do próprio estudo. Das informações vindas a público, parece que se utilizou uma metodologia com modelos retirados da evolução da epidemia noutros países. Pode ser aceitável não só como exercício académico, mas também como uma simulação, mas há que ter em conta as limitações que devem ser explicitadas.

Tenho enorme respeito e consideração pela capacidade técnica e intelectual pelo meu amigo e contemporâneo liceal, engenheiro José Augusto Fernandes, mas na minha humilde opinião, está profundamente equivocado e espero que esteja errado pelas seguintes razões:

1º. Partiu de pressupostos errados, 7% da população está infectada, ao tomar dados de análises feitos em Cabo Verde o que não é equivalente a uma amostragem aleatória na população geral;

2º. Parece-me, pelas informações que pude colher na comunicação social, não levou em consideração os grupos etários da nossa população, que é maioritariamente jovem ao contrario do estudo não partiu de cenário real, mas virtual;

3º. Ignorou que somos ilhas, com uma forte componente rural, realidades que facilitam a criação de cordão sanitário e reduzir a propagação do vírus;

4º. Não partiu de uma amostragem aleatória, mas sim de análise de doentes com suspeitas de COVID19, que nada tem a ver com a incidência da doença na população geral;

5º. Ignorou evidências científicas e estatísticas mundiais que demostram, de forma categórica, que em cada cem infectados, quinze a vinte terão sintomas e precisarão de cuidados médicos e cinco necessitarão de cuidados intensivos. Em cabo verde só três nacionais necessitaram ainda de cuidados médicos o que significa, a meu ver, haverá, no máximo, 15 pessoas infectadas em Cabo Verde;

6º. Nós conhecemos o número de testes positivos, mas outro aspecto a considerar é o número de testes realizados. Talvez fosse razoável ponderar o seu número ainda reduzido. Isso relativizaria os resultados, não é? É importante o ponto de partida. Se partirmos de primícias que não são muito rigorosas, o resto pode ficar comprometido. Vendo assim, muito rapidamente, e não esquecendo qual a situação actual, não parece muito plausível e estaticamente quase impossível que em três meses (Julho), venhamos a ter o numero de infectados projectado nos dois estudos apresentados;

7º. Ignorou que países como Coreia do Sul, República Checa, China Continental, Macau e Hong Kong que conjugaram isolamento social e uso de máscaras universais a incidência de COVID19 foi das mais baixas do mundo e que não tiveram evolução em pico mas sim em planalto;

8º. Este estudo não serve para tomada de qualquer decisão racional no Sector da Saúde e veio muito extemporâneo, numa altura em que a evidência mostra o contrário das previsões dos dois estudos apresentados;

9º. Cabo Verde, apesar de ter muitas fragilidades no Sector da Saúde, tem um SNS minimamente estruturado e relativamente resiliente e com as medidas assertivas já tomadas pelo Governo não prevejo nenhum dos cenários apresentados.

10º. Os cenários apresentados são irrealistas e não se verificaram ainda em nenhuma latitude, pelo que a população deve continuar ter autodisciplina e respeitar as recomendações do Governo de SNS. Tanto assim é, que o primeiro “modelo não serve, está ultrapassado” visto que medidas várias foram tomadas (lavagem das mãos, distanciamento social, fecho das escolas, isolamento, fecho de fronteiras, quarentenas, estado de emergência com as restrições inerentes, etc.). É evidente que todas essas intervenções (e outras) influenciam a(s) curva (s) e o que ela(s) representa(m).

Sendo o primeiro modelo ultrapassado, não vi muita razão para se insistir tanto nele. Se nada tivesse sido feito e se se esperasse pela imunidade de grupo (mais de 70% da população infectada) a situação eventualmente poderia ser uma daquelas que se apresentou.

Para terminar, creio ser possível que isto tudo esteja na base da leitura que se tem feito (veja-se particularmente o artigo da Inforpress); não esclareceu nada e trouxe aquilo que menos precisamos neste momento: a perda da nossa tranquilidade para melhor podermos cumprir aquilo que as autoridades nos recomendam.

Decidamente, não é uma mensagem que a população precisa neste momento para continuar fazer face com sucesso à pandemia do Covid-19.

Praia, 11 de abril de 2020

Julio Barros Andrade

Fonte: JBA

Continue Lendo
Clique para Comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Povo Fla

Volta para a tua terra, trabalhador!

Publicado

em

Em Portugal, não importa se estás a reconstruir ruas, apanhar batatas ou isolar telhados, o refrão da música no ouvido do TRABALHADOR imigrante é o mesmo: “Volta para a tua terra!” – Claro! Estou de malas prontas!

Eu acompanhei esse “abrir das portas” à imigração e lá vai a minha crónica, depois de 3 anos em Portugal.

O mês era fevereiro do ano 2022 e chego em Portugal, de mochila às costas e arrastando uma mala – e nela um caderno com os rabiscos de meus sonhos por realizar na Europa. O plano era cursar um Mestrado em Empreendedorismo e Inovação no IPB – Instituto Politécnico de Bragança, trabalhar por alguns meses e voltar para a minha terra. Eu era um dos selecionados em concursos de vagas da CMP, com protocolo com o IPB.

Vivi no Brasil durante seis anos, onde cursei bacharel em Administração e fiz uma pós-graduação em Docência Universitária, e para quem nasceu numa terra árida como a nossa África, Portugal não me encantou pelo verde e o frio – eu vim do Amazonas. A primeira lembrança é da compra de um Cartão Sim da Vodafone que me custou 20 euros no aeroporto de Lisboa, por ignorância. Três horas de comboio à uma cidade da região do Centro de Portugal – Aveiro, mais algumas horas de autocarro para Bragança e lá estava eu na terra pertencente à antiga província de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Depois de um mês, dormindo em um alojamento provisório da Associação de Estudantes Africanos em Bragança, consegui alugar um quarto e ter o meu cantinho de paz e estudos.

Seis meses depois terminei o segundo semestre do curso – solicitei o visto em julho de 2021, que foi emitido em janeiro de 2022 e cheguei ao IPB no fim do primeiro semestre; eu precisava aguardar o próximo semestre letivo para cursar o primeiro semestre – o ponto aqui é a enrolação da Embaixada de Portugal na emissão dos vistos, mas mesmo sem estudar pagamos à escola o semestre. O argumento é: “estavas matriculado”, disse a secretária acadêmica.

Eu tive a sorte de não me estressar com o processo de pedido de autorização de residência – no mês de junho de 2022, o meu título de residência já tinha sido emitido e nada a reclamar até hoje.

O que fazer nas férias? – Trabalhar!!! Foi precisamente neste período, de junho a agosto de 2022, que Portugal começou a “abrir as portas” com as alterações na Lei de Estrangeiros e a criação do visto de procura de trabalho – precisavam da mão-de-obra de alguém para fazer os trabalhos que os herdeiros portugueses não querem fazer. Neste site escrevi dezenas de artigos, notícias e tutoriais, ajudando pessoas com informações sobre vistos para Portugal, à procura de uma vida melhor nas terras lusa.

O meu primeiro trabalho, part-time, em Portugal foi numa empresa de consultoria de gestão por dois meses, depois fiz voluntariado em uma Quinta, numa Vila no Centro de Portugal, por nove meses – sobre isso, em 2023 escrevi o artigo Conheça HelpX e faça voluntariado na Europa. Alguns meses depois fiz um estágio de 6 meses em instalação de sistemas fotovoltáicos e, nos meses seguintes, trabalhei como ajudante em empresas de construção civil, na lavoura apanhando pêras e batatas, etc.

E nessas idas e vindas, o refrão da música mais escutada no sul de Europa foi “Volta para a tua terra”.

Para quem cresceu ouvindo histórias de navios negreiros portugueses que levaram meus pais e avós a São Tomé e Príncipe para trabalharem nas roças, sob açoites de homens brancos, esse refrão soa a provocação. Os olhares nas ruas e supermercados não escondem esse desejo de nos verem longe daqui, fora da terra deles. Mas, eu até entendo o povo português! Não é que a nossa presença cause desconforto no estômago deles – não vivemos às suas custas, somos trabalhadores; não dormimos em seus quartos de hóspedes, pagamos o preço de um rim pelos seus imóveis; não recebemos cestas básicas, passamos o nosso cartão Revolut ou da Nu Bank nas lojas. Mas então, por quê essa aversão ao trabalhador imigrante? Simples!!! É alimentada por discursos políticos que rotulam a “miséria do povo” à imigração em massa – dizem que viemos cá viver às custas de subsídios do Estado e tirar os direitos dos portugueses”, um discurso maldoso e pintado a racismo, nada condizente com a verdade!

Querem dizer que as portas estavam escancaradas e nós entramos em Portugal vindos do espaço ou por vias subterrâneas e não nos viram chegar? No entanto, temos um carimbo do controle de imigração da fronteira no passaporte, temos NIF, NISS e NÚMERO DE UTENTE, temos contratos de trabalho e descontamos na Segurança Social; só não podemos viver em paz e ter o respeito como qualquer ser humano.

Salve! Estou de malas prontas para “Voltar para a minha terra” e até deixei uma vaga de trabalho na apanha de batatas nos campos de Santarém, para os filhos desta terra – os verdadeiros postugueses.

Há quem diga: “ignore-os, todos não são assim”! Certa a afirmação, mas a verdade é que nem todos os imigrantes vieram a Portugal porque não tinham outros meios de viver – o plano era esse mesmo: estudar e voltar pra casa!!!

Como bem escreveu Fábio Pimentel, em seu artigo intitulado “Volta para a tua terra!”, publicado no Público, “Portugal deu um passo relevante (com essas novas alterações na Lei de Estrangeiros, principalmente com relação ao visto de procura de trabalho que passa a ser emitido apenas a profissionais altamente qualificados, o tempo para solicitar cidadania e reagrupamento familiar) para que os imigrantes comecem mesmo a pensar em regressar aos seus países de origem, como exclamam muitos xenófobos por aí”.

Ainda bem que podemos voltar pra nossa terra. Eu já estou de regresso, a despeito das mudanças na referida lei. A grande verdade é que está ficando cada vez mais insuportável viver neste país que se gaba de ser um paraíso e ter que escutar essas ofensas de homens sem escrúpulos.

Não querendo passar a imagem de que Portugal foi um inferno em minha vida nesses três anos, reconheço a bondade de homens e mulheres de bem que me sorriram, me deram uma mão amiga e não fizeram cara feia, nem me mandaram ir embora quando souberam de onde eu vim. A todos vós, meu eterno obrigado e guardo na memória o vosso gesto de altruísmo.

Desejo boa sorte aos meus irmãos que ficam – continuem focados no vosso objetivo, e votos de prosperidade económica à terra lusa! Nos vemos algum dia nas praias de Santa Maria ou junto ao Pelourinho, em Cidade Velha!

Escrito por Isaías Cardoso

Continue Lendo

Povo Fla

Cabo Verde perdeu num mau “Negócio” há nove anos

Publicado

em

Texto de Manuel Rosa

CABO VERDE PERDEU NUM MAU “NEGÓCIO”!! HÁ NOVE ANOS QUE TUDO PERDEMOS!!

Sempre que tenho algum tempo dou uma vista de olhos na valorização permanente e consistente do preço da onça de ouro. Estamos na quinta semana consecutiva de subida do preço da onça de ouro. Atingiram-se números máximos históricos.

Esta valorização recente é refletida pela decisão do Banco Central dos EUA (Federal Reserve) de reduzir as taxas de juros, conjugada com as actuais crises e tensões geopolíticas e uma dinâmica procura desse valioso metal pelos Bancos Centrais.

As previsões que estimavam que ela atingiria 3.500 USD/onça até ao final deste ano foram recentemente projectadas para 3.800 USD/onça e com tendência para subir.

Todo o mundo procura comprar ouro. Poucos vendem. Mas o BCV esteve, desastradamente, nos poucos que venderam.

Nunca saberemos da razão intempestiva do Olavo, Ulisses e o Oscar Santos terem vendido a metade das nossas reservas de ouro.

Em Agosto de 2020 o preço da onça de ouro era de 2.075 USD/onça! Veja-se onde hoje chegou o preço do ouro!!!

Nunca este trio explicou das razões porque vendeu metade das nossas reservas, quem foi o intermediário da venda (sempre há um conveniente intermediário), quem acabou por comprar, em que ano o valor da venda entrou no Orçamento e para que serviu.

Um país desgovernado!! Não se prestam contas e tudo vira intransparente. Ao cidadão não se devem explicações. Há “Cláusulas confidenciais”, sempre!!!

Onde mesmo iremos parar???

Continue Lendo

Povo Fla

Estágios: a nova moda em Cabo Verde

Estagiário: um cursado sem experiência, sem respeito, de bolso vazio e a mente bem distante… Oh terra sofrida!

Publicado

em

Photo by Mimi Thian on Unsplash

Quatros anos na universidade; rabisco de sonhos no papel; um coração ávido para contribuir pelo seu país. Você sonha com o primeiro emprego e já planeja sua vida.

Mas a realidade, depois de transpor os portões da universidade, é outra. Uma realidade bem mais dura do que sonhamos.

Você é cursado, sem experiência profissional; uma empresa lhe oferece uma oportunidade de estágio por alguns dias ou meses e quando terminar este período te despede e colocam um outro estagiário em seu lugar, porque podem fazer isso.

Isso quer dizer que a empresa não precisa de você; você é descartável porque sempre poderão encontrar outro estagiário, como você, para “usarem”. E você, vai sentar em casa até surgir uma oportunidade de emprego ou procura outro estágio em uma outra empresa.

E o pior de tudo, de graça. Sorte de quem conseguir um estágio remunerado. Pode conseguir, esperando na fila do IEFP ou se cair no gosto de alguma empresa.

Essa piada precisa parar…

Quinze ou trinta dias de estágio nem serve para colocar como experiência no currículo.

Empresas que precisam de estagiários devem pensar numa forma de recrutar o estagiário ao final do estágio, ou pelo menos oferecer um estágio remunerado. Por que não oferecer estágio remunerado?

Entendo que o estágio é para treinar a pessoa para ocupar um posto que, talvez, não tenha experiência. Mas, se depois de trinta ou cento e oitenta dias (seis meses) a Empresa não contrata o estagiário, pra quê estagiar?

Pensando assim, tanto fazer estagiar ou não, certo?

E quando o estágio não é remunerado, como pagar o transporte, o almoço, comprar uma camisa nova? Melhor seria servir a um pedreiro e receber diariamente, não é? Compensaria! Depois de trinta dias o dinheiro daria para alguns kilos de arroz em casa.

Agora vamos falar ‘na lingua di terra’ …

Otu grandi verdadi eh que bo eh ka só un estagiariu, bu ta passa ta ser mininu de mandadu na nomi di estagiariu, nem sempre tem alguen na empresa pa treinau e bu tem que nguli tudo desaforu di donu de empresa ou algun mandanti la dentu…

Mas alguen podi pergunta: “e kel experiensia, eh ka ten um valor?”

  1. tem sim, eh um grandi beneficiu pa empresa, ten alguen ta trabadja pa el x meses di grasa;
  2. tem sim, un grandi benefisiu pa mi si dipos di trabadja di grasa n tiver un oportunidadi di trabadju; se não, pa kuse n mesti experiensias di 1, 2 ou 3 meses na 50 empresas si na final di contas nem eh ka ta sirbi pa pa kumpri kes exigencias de 5 anos de experisia pa un empregu?
  3. experiensia ê experiensia sempri, mas es situason di nos terra eh maz uma explorasan di que oportunidadi (disso q falo);

Nós q bai escola ku sacrifisiu pa ten um formason, nu ka podi fika ta mendiga estagiu de 1, 2, 3 ou 6 meses di grasa i dipos permite ser deskartadu pa nenhum empresa, isso eh desvaloriza bu pessoa komu profissional; empresa ka podi fika ta odjanu komu mendingus maz komu un kolaborador (cursadu, ku bagagem msm q teoriku, ku konhesimentu) q podi djuda empresa a kresci…

Mas, pa kelotu lado, txeu bes bu ten que bai simé, ku esperansa ma algun empresa ta contratau.

Haja empregu i muita força pa nós recem-formadus i kes que te inda sta estagia!

Este mesmo texto foi compartilhado na Página Vagas Cabo Verde no Facebook, e as histórias de estagiários são tristes de se ouvir. Leia!

Onde conseguir estágios remunerado em Cabo Verde?

Continue Lendo
Advertisement

Treding